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FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA – CF/18

         FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA – CF/18

Lema: “Vós sois todos irmãos” – Mt 23,8)

 

VER: SOMOS TODOS IRMÃOS!

Quaresma – Conversão – Transformação – Salvação. Episódios de violência se intensificam... crescem as formas coletivas e organizadas da prática da violência.  A violência é o uso da força contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra grupo de pessoas (OMS), causando dano físico, sexual, psicológico ou morte. A violência não é um caso reservado ao tratamento policial, mas é uma questão social. 

Para isto é preciso refletir sobre a realidade, rezar pelas vítimas da violência, unir as forças. Os índices da violência no Brasil superam os números dos países em guerra ou que são vítimas de atentados terroristas.

QUARESMA E A CAMPANHA DA FRATERNIDADEdespertar para uma cultura de fraternidade.

Objetivo geral: construir a fraternidade, promover a cultura da paz como caminho de superação da violência.

Formas de violência: cresceu o acesso aos equipamentos e aos serviços privados de proteção. Isso faz aumentar o isolamento – Mantém à distância o potencial inimigo e também o amigo.

O Brasil tem 3% da população mundial e responde por 13% dos assassinatos do planeta. Em 2014 foram  59.627 mortes por homicídio. A taxa de homicídios por 100.000 habitantes demonstra, por exemplo, que enquanto a Inglaterra tem 0,2, os Estados Unidos tem 6,0, a Argentina tem 4,3, o Brasil tem o índice de 26.

Situações estruturais de geração e perpetuação da violência: ( não apenas ao exercício da força). Falamos do Brasil abençoado: natureza generosa, nação ordeira e pacífica, alegria, festividade, acolhida, democracia das raças. Expresso na bandeira: Ordem e Progresso. Os números da violência contradizem estas afirmações.

As crianças estão amedrontadas, os jovens ameaçados, o tráfico de drogas e o medo da polícia crescem.  O espaço é de paz e de guerra:

Ação ou omissão (ausência de proteção). Ausência de segurança nas periferias que ficam entregues a grupos armados e proteção nas áreas nobres.

Poder do dinheiro: há quem pode pagar por segurança. A segurança em vez de direito passa a ser privilégio.

Tratamento seletivo dado pelos órgãos públicos: Quem tem bons advogados tem tratamento diferenciado. A maioria dos  encarcerados ainda não compareceram diante do juiz para julgamento.

A violência institucional: é difícil caracterizá-la, mas a violência no Brasil está relacionada a práticas sociais que perpetuam modos de vida violentos. A violência letal é a que gera morte. Na década de 1980 foi ocasionado pela crise econômica que aumentou a desigualdade social. O contexto social econômico influencia na geração da violência.

No início deste século houve uma certa diminuição da taxa de homicídios,por vários motivos, que produziram resultado benéfico. O debate sobre o Estatuto do Desarmamento reduziu o índice da criminalidade. A escolaridade baixa ou insuficiente tende a redundar em ocupações com pior remuneração. Daí a pessoa não se alimenta adequadamente nem pode pagar pelo atendimento da saúde e adquirir medicamentos. Assim os pobres são as vítimas das mazelas econômicas e  as maiores vítimas da violência. Para combater a violência estrutural exige-se medidas mais complexas.

A cultura da violência – “Violência cultural”: condição em que determinada sociedade não reconhece como violência atos em que pessoas são agredidas. Torna-se normal. Vê-se com indiferença atos como ciúme, desavenças entre vizinhos, desentendimento no trânsito... Justifica-se que jovens, negros e mulheres sofrem violência porque fazem algo indevido. Adolescente por ser delinquente ou marginal ..., entende-se que certa dose de violência seria benéfica para manter pessoas longe do crime e dar castigo a quem deixou de fazer o que é certo. A cultura da violência se instala quando as decisões inviabilizam a construção da justiça e a afirmação da paz e da fraternidade. A violência cultural pode ser escondida. Entende-se que a desigualdade social é algo natural. Tratamos como inferiores as mulheres, jovens, idosos, negros, índios, pessoas com diferentes orientações sexuais... Essas identidades são alvo de frequentes atos violentos.

A violência como sistema no Brasil:  A violência faz parte da história do Brasil. O colonizador branco era superior aos índios e negros. É perigoso no Brasil lutar em favor da igualdade de direitos. Estudos mostram que 66 defensores dos direitos humanos foram assassinados no Brasil em 2016.

Política e violência no Brasil   - Decisões políticas são responsáveis pela perpetuação de estruturas geradoras de violência no Brasil. No Congresso Nacional há parlamentares que defendem o uso de armas de fogo pela população civil. Há propostas de ampliação da ação ilimitada das polícias, do Ministério Público e do Judiciário...  A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar e a dignidade da pessoa e o bem público em 2º lugar. A corrupção enfraquece as políticas sociais, marginaliza os pobres.         O Papa Francisco tem se posicionado contra essa cultura de descartável. Diz ele: “o dinheiro arruína o homem e  condena a ser um escravo”.     A ideia de que a política é uma atividade dos corruptos se espalha, pois boa parte dos políticos está mais preocupada com seus objetivos egoístas do que com os interesses da população. O poder é exercido à distância dos eleitores.  Hoje se criminaliza os movimentos sociais que tem pontos de vista diversos das propostas aprovadas que retraem os direitos dos cidadãos. O Estado é cúmplice da violência contra os movimentos populares e sociais quando deixa de agir. Indígenas, quilombolas e ambientalistas têm sido eliminados sem que o Estado se empenhe na apuração dos fatos.

A violência resultante da desigualdade econômica -    Estudos mostram que apenas 62 pessoas detêm o mesmo dinheiro que a metade mais pobre da humanidade. Os mais ricos da humanidade 1%, detêm 99% da riqueza. A desigualdade gera violência. A injustiça social traz consigo a morte. Há regiões com desenvolvimento humano baixo e com indicadores de violência elevados. Estas regiões são negligenciadas.

Vítimas da violência no Brasil

Racial:  os imigrantes vêm sendo tratados com desrespeito.Em 2016 o Brasil recebeu 9.552 refugiados de 82 nacionalidades. Supõem-se que existam raças humanas distintas e umas são superiores a outras. Consideram-se inferiores as pessoas com características diferentes. A xenofobia não é uma experiência nova no Brasil

Contra Jovens:  a maior causa da morte entre jovens de 15 a 24 anos é o homicídio. Em 2011 houve 52 mil mortes do homicídio e 52,6% eram jovens, 71% deles eram negros e 93% do sexo masculino.

Contra mulheres e homens:    tem crescido o número de homicídios de mulheres. No ano de 2013 tivemos uma média de 13 homicídios de mulheres por dia.  4 762 mulheres foram assassinadas. A maioria eram  negras.

Doméstica:    a violência contra a mulher ocorre principalmente em casa. Crianças e adolescentes são vítimas de violência dentro de casa.  17 mil crianças e jovens morrem todos os dias segundo dados da Organização das Nações Unidas. 61 milhões de crianças estão fora da escola em dezenas de países. 1 bilhão de crianças vivem na pobreza no mundo.

Exploração sexual e tráfico humano:   O tráfico de pessoas é uma das formas mais violentas de exploração do ser humano no mundo inteiro. É uma forma do crime organizado atrelado à exploração sexual, comércio de órgãos, adoção ilegal, pornografia infantil... 75% das vítimas do tráfico são mulheres e meninas.

Contra os trabalhadores rurais e contra os povos tradicionais:   tem raízes no passado colonial. Tem crescido o número de conflitos registrados nos últimos anos. Permanece a omissão dos poderes públicos que negam respeitar e cumprir a Constituição Federal no que se refere a demarcação das terras indígenas. Há invasões nas terras demarcadas.

Violência e narcotráfico:    o narcotráfico movimenta mais de 400 bilhões de dólares por ano. É um dos setores mais lucrativos da economia mundial. A guerra às drogas favorece a grandes empresários de drogas. No Brasil há entre 20 a 30 milhões de viciados em álcool e 870 mil dependentes de cocaína.

Ineficiência do aparato judicial:    no Brasil são mais de 650 mil presos vivendo em condições degradantes. De dentro das prisões presos gerenciam  organizações criminosas dentro e fora das prisões.

Polícia e violência:  a polícia deve ajudar na superação da violência. Há corrupção policial e práticas ilegais. Em 2015,  3.320 pessoas foram mortas pela polícia e 358 policiais foram assassinados.

Violência e direito à informação:    a mídia não ajuda a superar a violência quando sugere que a paz só será alcançada mediante a eliminação do criminoso. Apela-se por saídas fáceis como a pena de morte, a redução da maioridade penal ou a justiça com as próprias mãos. As mídias podem ajudar a construir a fraternidade e despertar para uma convivência pacífica.

Religião e violência:   a Religião é um elemento que reúne as pessoas na identidade de suas crenças. Contudo a experiência religiosa pode se converter em uma forma de violência. Tem sido comum a intolerância e o fanatismo religioso. As religiões de matriz africana são as que mais sofrem perseguição.

Violência no trânsito:   Em 2010 houve 1,24 milhões de mortes por acidente de trânsito em 182 países. A ONU proclamou a década da ação pela Segurança no trânsito, 2011 a 2020. Em 2012,  41 mil brasileiros perderam a vida nas estradas. As causas mais conhecidas são o efeito do álcool ou entorpecente e velocidade inadequada.  É preciso uma educação persistente em vista da diminuição de acidentes.

 

JULGAR: “ VÓS SOIS TODOS IRMÃOS “  Mt 23,8

 

 A violência é um tema abundante na Sagrada Escritura, sobretudo no Antigo Testamento.

ANTIGO TESTAMENTO: A COMUNHÃO ROMPIDA PELO PECADO:  muitas passagens insinuam uma personalidade violenta de Deus. Estes textos devem ser lidos em seu contexto originário. Com o avançar do processo da revelação compreende-se que Deus é misericórdia e nele não existe violência.

Nas origens: “Deus viu que tudo quanto havia feito era muito bom” (Gn 1,31). Logo vem a trágica queda do ser humano. Há o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso.  O homem rejeita a convivência amorosa e livre. Este rompimento conduz a uma convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo seu irmão Caim (Gn 4,1-16)

O crescimento da maldade entre os homens deixará consequências em toda a criação que sofrerá o dilúvio como tentativa de reinício da criação. A primeira condenação explícita da violência é apresentada no Gênesis: “Quem derramar sangue humano, por mãos humanas terá seu sangue derramado, porque Deus fez o ser humano à sua imagem”(9,6). A violência praticada pelo homem recai sobre o próprio homem.

A lei de talião e o decálogo: Para conter atos violentos surgem leis que proíbem assassinatos, cobiça dos bens e exige compromisso com a verdade. (Ex 20  - Dt 5 ). A lei de talião, olho por olho... em Ex 21, 24 e Lv 24,20,  procurava estabelecer um limite proporcional de reparação ao mal sofrido evitando uma vingança exagerada. Na Torah, 3 prescrições  se destacam:

“Não oprimas o estrangeiro (Ex 23,9); “Não guardes no coração o ódio contra teu irmão” (Lv 19,17); “Não procures  vingança nem guarde rancor. Amarás  o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Com os profetas a reflexão sobre a violência se desenvolveu. Os profetas foram perseguidos. O caso mais conhecido é de Jeremias (Jr 26 – Jr 37-38). Elias teve que fugir (1 Rs 19,2), Amós foi expulso ( Am 7, 10-17) etc.

Os livros sapienciais apresentam um pensamento mais maduro sobre a superação da violência. (Pr 3, 29-32 – Pr 4, 14 – Pr 13, 2 – Pr 25, 21)

Muitas páginas da Escritura confessam que Deus é misericordioso, lento para a ira e rico de amor e bondade (Es 34,6; Nm 14,18; Gn 4,2; Ne 9, 17; Na 1,3).  A violência individual é tratada nos Salmos que testemunham a dor e devastação causada pelos violentos (Sl 7, 2-3; Sl 10,7-8; Sl 27, 12) A oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos

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NOVO TESTAMENTO: JESUS ANUNCIA O EVANGELHO DA RECONCILIAÇÃO E DA PAZ

 

Jesus oferece e prega o amor aos inimigos (Mt 5,44 e Lc 6,27) – Propõe a superação da violência (Jo 8, 3-11) – Os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9).

A violência brota do coração do homem: É de dentro do coração que saem as más intenções (Mc 7,14-15.21-23).  O coração do homem é que precisa ser pacificado.

A Igreja convida a promover a cultura do diálogo: São João  XXIII publicou na encíclica sobre a paz: “A violência sempre destrói, nada constrói, excita paixões, acumula o ódio...”. O Concílio Vaticano II

Violência e direito à informação:    a mídia não ajuda a superar a violência quando sugere que a paz só será alcançada mediante a eliminação do criminoso. Apela-se por saídas fáceis como a pena de morte, a redução da maioridade penal ou a justiça com as próprias mãos. As mídias podem ajudar a construir a fraternidade e despertar para uma convivência pacífica.

Religião e violência:   a Religião é um elemento que reúne as pessoas na identidade de suas crenças. Contudo a experiência religiosa pode se converter em uma forma de violência. Tem sido comum a intolerância e o fanatismo religioso. As religiões de matriz africana são as que mais sofrem perseguição.

Violência no trânsito:   Em 2010 houve 1,24 milhões de mortes por acidente de trânsito em 182 países. A ONU proclamou a década da ação pela Segurança no trânsito, 2011 a 2020. Em 2012,  41 mil brasileiros perderam a vida nas estradas. As causas mais conhecidas são o efeito do álcool ou entorpecente e velocidade inadequada.  É preciso uma educação persistente em vista da diminuição de acidentes.

 

JULGAR: “ VÓS SOIS TODOS IRMÃOS “  Mt 23,8

 

 A violência é um tema abundante na Sagrada Escritura, sobretudo no Antigo Testamento.

ANTIGO TESTAMENTO: A COMUNHÃO ROMPIDA PELO PECADO:  muitas passagens insinuam uma personalidade violenta de Deus. Estes textos devem ser lidos em seu contexto originário. Com o avançar do processo da revelação compreende-se que Deus é misericórdia e nele não existe violência.

Nas origens: “Deus viu que tudo quanto havia feito era muito bom” (Gn 1,31). Logo vem a trágica queda do ser humano. Há o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso.  O homem rejeita a convivência amorosa e livre. Este rompimento conduz a uma convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo seu irmão Caim (Gn 4,1-16)

O crescimento da maldade entre os homens deixará consequências em toda a criação que sofrerá o dilúvio como tentativa de reinício da criação. A primeira condenação explícita da violência é apresentada no Gênesis: “Quem derramar sangue humano, por mãos humanas terá seu sangue derramado, porque Deus fez o ser humano à sua imagem”(9,6). A violência praticada pelo homem recai sobre o próprio homem.

A lei de talião e o decálogo: Para conter atos violentos surgem leis que proíbem assassinatos, cobiça dos bens e exige compromisso com a verdade. (Ex 20  - Dt 5 ). A lei de talião, olho por olho... em Ex 21, 24 e Lv 24,20,  procurava estabelecer um limite proporcional de reparação ao mal sofrido evitando uma vingança exagerada. Na Torah, 3 prescrições  se destacam:

“Não oprimas o estrangeiro (Ex 23,9); “Não guardes no coração o ódio contra teu irmão” (Lv 19,17); “Não procures  vingança nem guarde rancor. Amarás  o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Com os profetas a reflexão sobre a violência se desenvolveu. Os profetas foram perseguidos. O caso mais conhecido é de Jeremias (Jr 26 – Jr 37-38). Elias teve que fugir (1 Rs 19,2), Amós foi expulso ( Am 7, 10-17) etc.

Os livros sapienciais apresentam um pensamento mais maduro sobre a superação da violência. (Pr 3, 29-32 – Pr 4, 14 – Pr 13, 2 – Pr 25, 21)

Muitas páginas da Escritura confessam que Deus é misericordioso, lento para a ira e rico de amor e bondade (Es 34,6; Nm 14,18; Gn 4,2; Ne 9, 17; Na 1,3).  A violência individual é tratada nos Salmos que testemunham a dor e devastação causada pelos violentos (Sl 7, 2-3; Sl 10,7-8; Sl 27, 12) A oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos

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NOVO TESTAMENTO: JESUS ANUNCIA O EVANGELHO DA RECONCILIAÇÃO E DA PAZ

 

Jesus oferece e prega o amor aos inimigos (Mt 5,44 e Lc 6,27) – Propõe a superação da violência (Jo 8, 3-11) – Os que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9).

A violência brota do coração do homem: É de dentro do coração que saem as más intenções (Mc 7,14-15.21-23).  O coração do homem é que precisa ser pacificado.

A Igreja convida a promover a cultura do diálogo: São João  XXIII publicou na encíclica sobre a paz: “A violência sempre destrói, nada constrói, excita paixões, acumula o ódio...”. O Concílio Vaticano II